Domingo, Outubro 19, 2008

Guia de terrenos baldios de São Paulo

Por acaso ou força do hábito , fui no domingo à feira do Bexiga e lá encontrei um guia bastante singular: Guia de terrenos baldios de São Paulo or Guide to the wastelands of São Paulo. O simplório guia, todo em preto e branco e bilíngüe, chamou minha atenção. Terrenos baldios esta cidade tem de monte. Em regiões valorizadas, os tais terrenos tornam-se verdadeiros potes de ouro nas mãos da especulação imobiliária.
Folheando o simpático guia reencontrei o emblemático terreno onde foi o antigo colégio Des Oiseaux. E através dos comentários sobre este na rua Augusta com Caio Prado, revelaram-se mais curiosidades sobre aquela vasta área protegida de muros, motivo do meu último post no Versão Paulo, “Moça vestida de estudante pula muro e volta às aulas.”
O guia diz que o colégio cedeu a área para a prefeitura e em contrapartida esta deveria conservar as árvores e transformar 75% do terreno num parque público. Até agora o terreno continua lá, baldio, com as árvores, um estacionamento e um circo ótimo, Zanni, que faz uma temporada no local . Mas parque público, não parece que virou. Mais pra frente no texto, ainda há referência a uma sociedade que há 12 anos comprou o terreno, Sociedade Armando Conde Investimentos e, por ter sido contestada pelos vizinhos, elaborou um plano B chamado Projeto Parque dos Pássaros, homenagem mórbida ao oiseaux do antigo colégio. O shopping center teria 14.000 metros quadrados e, 10.000 metros seriam reservados a um parque que a benemérita “sociedade do mal” cederia a prefeitura desta cidade tão cheia de shoppings e tão carente de parques. Mas parece que a coisa sofreu nova contestação graças a deus, de uma outra Sociedade, esta do Bem, os Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César ( SAMORCC), que alegaram ser o terreno um dos poucos pulmões verdes do centro da cidade com vegetação de Mata Atlântica. Este grupo criou um comitê dos aliados do Parque, o qual reunia em 2006, 300 pessoas. Além de tentar segurar este projeto nefasto de shopping/gaiola com nome de pássaro, em 2006, momento em que este guia foi lançado, havia um processo na câmara dos vereadores em que foi pedido que a prefeitura comprasse o terreno e o conservasse como parque.
Agora fica-se na dúvida, se o antigo colégio (des Oiseaux) cedeu para a prefeitura o terreno há um tempão atrás e, naquela época, exigia que a prefeitura fizesse dos 75% do terreno um parque, como é que esta sociedade do mal compra o terreno e faz um projeto em que a maior parte da área é para shopping piu piu e apenas 10.000 ficam para a prefeitura fazer o que até agora ela não fez?
Bom gente, desculpe não ter dado uma explicação histórica daquelas com começo, meio e fim. Às vezes, a história apronta destas, acaba com uma dúzia de dúvidas contra meia de certezas....

Sobre o guia dos terrenos baldios de São Paulo:
A edição é de 2006 e foi feita por conta da 27 Bienal de São Paulo que tinha como tema “Como viver junto”. O projeto é de Lara Almarcegui (Espanha), artista que faz trabalhos fotográficos interessantíssimos com prédios abandonados e locais deteriorados. Foram impressos 27.750 cópias. Outros terrenos aparecem em várias regiões da cidade. As histórias são muito interessantes e, na apresentação do guia, há uma breve explicação geral sobre este fenômeno na cidade de São Paulo: a maior parte dos terrenos baldios esta ligada a realização de um projeto, são lugares onde tudo é possível porque a principio são todos filosoficamente vazios. Há terrenos com histórias fantásticas, outros relacionados a situações conflituosas, e ainda aqueles que são verdadeiros oásis na cidade. E este breve resumo prova por A + B que viver junto é difícil, mas sem dúvida, provoca um número enorme de histórias.
postado por Paula Janovitch

9 Comments:

At 12:04 PM, Blogger Thereza de Jesus said...

Precisamos nos unir a um maior número possível de pessoa "do e de bem" e criar uma estratégia para defender nossa qualidade de VIDA.

 
At 7:10 PM, Anonymous Anônimo said...

é revoltante o uso da palavra "Deus", somente com minúsculas. onde vamos parar?
isso só pode ser coisa de comunista: primeiro a classificação de shoppings, lugares que dão empregos a muitos, como "nefastos". segundo, a referência derrisória ao nome do Senhor.

 
At 10:40 AM, Blogger Thereza de Jesus said...

Quem prefere shopings em detrimento de áreas verdes, principalmente em São Paulo, nem merece resposta.

Thereza

 
At 10:42 AM, Blogger Thereza de Jesus said...

Quem prefere shoppings em detrimento de áreas verdes, principalmente em São Paulo, nem merece resposta.

Thereza

 
At 10:44 AM, Blogger Thereza de Jesus said...

Quem prefere shoppings a áreas verdes, principalmente em São Paulo, nem merece resposta.

 
At 5:23 PM, Anonymous Anônimo said...

quem prefere "área verde" é gado

 
At 11:08 AM, Blogger Thereza de Jesus said...

Gado é criatura de "Deus". É preferível animais do que ignorantes que destroem a natureza criada por Deus.

 
At 6:47 PM, Anonymous Anônimo said...

eu também prefiro essas criaturas de deus. e mal passadas.
mande fotos, para eu ver se quero um pedaço.

 
At 8:02 AM, Anonymous Betty said...

Qdo as freiras fecharam o Colégio, o terreno não foi cedido à prefeitura. Foi comprado por um grupo japonês q ia fazer lá um hotel, mas fez um estacionamento.
Foi só em 2004 q a Compresp tombou o bosque.

Não houve nunca compromisso nenhum, por parte da prefeitura, de fazer lá um parque. Isso é invenção de quem vive no entorno, como todos querem, um parquinho perto de casa.

Mas a prefeitura foi joiínha e cedeu aos anseios dos vizinhos do Des Oiseaux: parquinho será.

Isso é o q sei.

Qdo souber mais e melhor, volto aqui!

 

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