O DIÁRIO DO ABAX´O PIQUES
Você esta diante de uma autêntica cópia de um fragmento histórico do Diário do Abax' o Piques, publicado em 1933 pelo grande escritor, ilustrador, jornalista, fotógrafo e barbeiro, Juó Bananére, pseudônimo do engenheiro Alexandre Marcondes Machado.
Ele mesmo escreveu o jornal, fez as caricaturas, inventou as fotomontagens e imprimiu na sua casa.
Tudo que se lê neste jornal é em macarrônico, língua em que Bananére se especializou desde os primeiros anos do 1900, momento em que começou a escrever em vários semanários ilustrados e humorísticos da cidade de São Paulo.
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| Coluna fixa de Juó Bananére no Pirralho |
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No começo de sua carreira, ele não fazia um jornal inteiro, suas matérias apareciam em colunas fixas de semanários como O Pirralho (1911) de Osvaldo de Andrade, O Queixoso (1916) de Monteiro Lobato ou nas picadas humorísticas da Vespa (1916).
Sua língua macarrônica era o resultado da mistura dos vários idiomas falados em São Paulo devido a grande presença de imigrantes, caipiras e escravos libertos.
Como ele mesmo dizia no programa de apresentação do seu jornal O Diário do Abax´o Piques:
arrifrettino a ingonfusó do momento attuale, non podi assigui normas infrekissive di opinió, di lingua, di ortograffia, di pulitica, di tempo,di spacio, ecc.,ecc. Tanto podi sê scritto in portogueze comme in italiano, in sapgnuólo, in vernaculo,in grecco, o in braziliéro, coe in otra qurquére lingua viva o morta, non importa!
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Bananére fazia um excelente alemão macarrônico, um italiano composto com caipira, um sírio estropiado e não deixava nada a desejar com o seu japonês e judeu esculhambado.
Enfim, o Bananére jornalista capturava os sons das ruas da cidade e transformava tudo em matérias macarrônicas.
O nome do seu jornal, Diário do Abax´o Piques também faz referência a local muito importante nos lugares da memória da cidade de São Paulo. |
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Até o início do século XX, o lugar onde hoje vemos a Ladeira da Memória com o Obelisco em forma de pirâmide, o chafariz até a Praça da Bandeira, eram conhecidos por toda a população da cidade como Piques.
Aliás, todas as ladeiras íngremes da cidade carregavam o sentido da palavra piques, pois todas iam a pique. Já no sentido figurativo, piques refere-se a “ toque satírico a alguém, afrontoso”. As lavadeiras que se reuniam ali próximo do Piques, na Ponte do Lorena, eram chamadas de lavadeiras piqueiras, talvez como afirma um memorialista da época, porque lavassem a roupa suja aos olhos de todo mundo.
A região do Piques na história de São Paulo também foi lugar de venda de escravos, pouso de tropeiros e no início do século XX, ponto da cidade onde se fixaram muitos imigrantes italianos.
No início de sua carreira quando Bananére fazia colunas nos jornais, afirmava ele que escrevia da encosta do Abax´o Pigues, onde mantinha sua redação e barbearia. Era deste lugar transversal que cortava com sua navalha de barbeiro os tipos urbanos, personagens macarrônicos que “picavam” os grandes acontecimentos ocorridos no mundo, da política ou mesmo circunscritos à pequena cidade de São Paulo.
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BANANÉRE E ZÉPELINHO NO CÉU DE SÃO PAULO
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| O nostro diretore Juó Bananére apassiano no Zépelinho |
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A fotocaricatura do Bananére montado no Zeppelin expressa muito do clima da cidade em 1933, momento em que todo mundo olhava para o céu e assistia a passagem do dirígivel alemão.
A imagem do Zeppelin estava estampada nos jornais da cidade. Então não foi difícil para o hábil editor Bananére recortar o dirigível alemão e colar sobre ela o desenho do ardiloso jornalista. E foi assim, montado no “Zépelinho”, que o pequeno calunga Bananére dirigiu uma matéria inteira em seu Diário visitando e dando soluções criativas para alguns pontos críticos da cidade de São Paulo. |
O edifício Martinelli, maior arranha-céu de São Paulo, recém-inaugurado, que causava tanto medo aos passantes pela sua altura assustadora, foi rachado ao meio pelo Zeppelin.
A Ponte do Brás, um problema histórico de congestionamento provocado pelos vagões de trem da Light & Power que impediam a população de passar de uma lado para o outro, poderia ser parcialmente resolvido pela solução n.1 de Bananére.
Ou a solução n.2, contando em 1933 com o espaço aéreo da cidade ainda livre e a colaboração do amigo Zeppelin:
Até por baixo do Viaduto do Chá, Bananére quis levar o Zeppelin, só para mostrar o lugar onde era feito o Diário do Abax´o Piques, mas o pobre do “Zépelinho” não passou, entalou!!! |
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Uno piqueno accidente
do Zépelinho |
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Aqui fica um pouco do “Zépelinho”, do Bananére e seus sonhos e vôos rasantes sobre esta cidade cheia de histórias, problemas e inventividades.
PJ.
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